A tosse desempenha uma função protetora essencial para as vias aéreas. Sem ela corremos o risco de reter secreções nas vias aéreas. Ao mesmo tempo, a tosse excessiva e involuntária é um indício importante de doença respiratória, gastrointestinal ou até cardiológica.
Como explica a Dra. Daniela Bouzas – médica clínica geral e gastroenterologista -, existem vários tipos de tosse, entre os quais ela menciona a tosse não produtiva – ou seca – e a tosse produtiva, na qual há expectoração.
A tosse pode ser aguda, desaparecendo em menos de três semanas; ou crônica, quando se prolonga por mais de 8 semanas. Em ambos os casos, provém da irritação das vias respiratórias, causada por diversos fatores. Quando a avaliação inicial com exame físico e radiografia torácica é normal, asma, refluxo gastroesofágico, gotejamento pós-nasal e medicações como os inibidores da ECA são as causas mais comuns de tosse crônica.
“A tosse, no entanto”, ressalta a Dra. Daniela, “pode ser sintoma de diversas outras doenças, como tuberculose. Nesse sentido, alguns sinais de alerta apontam para a necessidade de atendimento médico imediato, entre eles falta de ar, presença de sangue na expectoração e emagrecimento”. O exame físico procura pistas sobre a presença de doença cardiopulmonar, incluindo achados como sibilância ou crepitações no exame torácico.
O tratamento da tosse crônica em um paciente com uma radiografia torácica normal é muitas vezes empírico e visa as causas mais prováveis de tosse. Em certos casos, poderão ser administrados medicamentos antitussígenos e expectorantes enquanto se realiza uma investigação mais profunda da causa primária, que pode incluir tomografia de tórax, prova de função pulmonar, laringoscopia e endoscopia digestiva alta, entre outros exames complementares.