A náusea é a sensação subjetiva da vontade de vomitar . O vômito, por sua vez, é a expulsão involuntária do conteúdo do estômago, produzida por contrações da musculatura abdominal, estômago e intestino, e é coordenado pelo tronco encefálico. Já os mecanismos básicos da náusea são pouco conhecidos, ainda que estudos de imagem demonstram ativação das regiões corticais do cérebro, o que explicaria nossa percepção consciente da náusea.
A anamnese (história clínica) ajuda a definir as causas da náusea e do vômito, que normalmente podem ser intestinais, farmacológicas ou endotoxinas circulantes.
A Dra. Daniela Bouzas – médica gastroenterologista – explica que grande parte dos episódios de náuseas e vômitos têm causas benignas e não representam grandes riscos. No entanto, é necessário prestar atenção nos sintomas associados que podem indicar uma doença sistêmica subjacente.
Cabe notar que, no caso das mulheres em idade fértil, a possibilidade de gravidez deve ser sempre considerada. Nos demais pacientes a principal causa para esses sintomas é a gastroenterite – irritação e inflamação do tubo digestivo. Nessa situação, o atendimento consiste no tratamento dos sintomas, através de medicamentos específicos e principalmente hidratação.
A Dra. Daniela também chama a atenção para esse sinal de alerta: “Pacientes idosos ou previamente debilitados são mais suscetíveis à desidratação, principalmente se estiverem acamados e não possuírem acesso à água. Nesses casos, o quadro pode evoluir para uma queda importante do estado geral, o que deve motivar atendimento médico imediato. Vale lembrar que pacientes muito sonolentos podem aspirar o material para dentro da via aérea, levando a uma pneumonia broncoaspirativa.”
Finalmente, caso esses episódios se tornem frequentes ou crônicos, eles podem prejudicar a saúde do organismo como um todo, podendo levar à desnutrição, lesões nas estruturas do sistema digestivo e alterações metabólicas. Nesse sentido, é preciso que o paciente seja acompanhado de perto por um gastroenterologista, que vai investigar as causas dos sintomas – que podem ser, inclusive, psicológicas e sociais – e traçar uma estratégia de tratamento e cura.