A intolerância à lactose é um distúrbio bastante comum. Estima-se que 70% dos brasileiros o possuem, seja leve, moderado ou grave. Como explica a Dra. Daniela Bouzas – médica clínica geral e gastroenterologista -, tal intolerância ocorre quando o organismo produz pouca ou nenhuma lactase, enzima presente no intestino delgado e responsável por digerir a lactose, o açúcar do leite: “Em pessoas afetadas pela doença, a lactose chega inalterada ao intestino grosso – ou seja, sem ter sido devidamente decomposta pela lactase. As bactérias então fermentam a lactose que se acumula, produzindo ácido lático e gases, retendo água e provocando desconforto”.
Os sintomas desse distúrbio surgem após o consumo de leite e seus derivados e, na maioria dos casos, se apresentam como distensão abdominal, cólica, diarreia, gases, náusea e acidez nas fezes. Os sintomas podem se iniciar minutos ou horas após a alimentação e a gravidade depende da quantidade de lactose ingerida e do grau de intolerância de cada paciente.
Para o diagnóstico, a médica fará uma avaliação clínica – anamnese, exame físico, requisição de exames laboratoriais – e poderá requisitar exames específicos para investigar a produção de lactase pelo corpo, como o teste de intolerância à lactose e a medição da acidez nas fezes e de hidrogênio na respiração.
“O diagnóstico – conforme conta a Dra. Daniela – envolve principalmente uma história clínica bem feita, com o reconhecimento da ingesta de leite e derivados como fator causal dos sintomas. Exames complementares não costumam ser necessários, mas é possível solicitar o teste de hidrogênio expirado para confirmação diagnóstica”. A suspensão dos laticínios garante alívio dos sintomas. No entanto, em situações especiais é possível administrar tratamento medicamentoso, o que permite o consumo, ainda que restrito, desses alimentos.