A úlcera péptica é definida como perda da integridade da mucosa do estômago e/ou do duodeno, que resulta em uma falha ou escavação local em razão de inflamação ativa. A dor abdominal tem uma correlação fraca com a presença de úlceras pépticas, já que a maioria dos indivíduos é assintomática. Apesar disso, uma anamnese cuidadosa e um exame físico detalhado são essenciais na abordagem a um paciente com essa suspeita.
O desconforto tipicamente em queimação epigástrico, a conhecida azia, que ocorre entre 90 minutos e 3 horas depois de uma refeição e frequentemente é aliviado pela ingestão de antiácidos, também pode se apresentar como uma sensação incômoda mal definida ou como dor de fome. A dor que desperta o paciente do sono costuma ser mais discriminativa de úlcera.
Os pacientes idoso têm menos tendência a apresentar dor abdominal e podem abrir o quadro com uma complicação como sangramento ou perfuração da úlcera. A médica gastroenterologista Dra Daniela Bouzas ressalta: “no passado as úlceras gástrica e duodenal eram importantes causas de mortalidade na gastroenterologia. Hoje, no entanto, os avanços da medicina permitem diagnóstico e tratamento precoces. Com o acompanhamento adequado, as complicações da doença ulcerosa péptica tornam-se cada vez mais raras”.
Entre outros motivos que podem contribuir para o desenvolvimento da doença, a Dra. Daniela cita fatores genéticos, consumo de álcool, tabagismo e estresse, bem como a infecção por H.pylori. Visando o alívio sintomático e como teste terapêutico, o tratamento medicamentoso já pode ser iniciado mesmo antes do diagnóstico confirmado. Porém, a confirmação diagnóstica por endoscopia digestiva alta é fundamental principalmente para, através da biópsia de mucosa gastroduodenal, descartar fatores associados como a infecção por H.pylori e diagnósticos diferenciais, como o câncer gástrico.