A doença inflamatória intestinal é a inflamação crônica e recidivante do intestino, que causa, na maior parte dos casos, dor abdominal de intensidade variável e diarreia com ou sem muco e sangue. Embora suas causas, em grande parte, sejam indeterminadas, é fato que essa doença está relacionada com uma predisposição genética, que parece causar reações imunológicas alteradas.
A Dra. Daniela Bouzas – médica clínica geral e gastroenterologista – nota que as doenças intestinais inflamatórias dividem-se em dois tipos principais: a doença de Crohn e a colite ulcerativa. “Na primeira, o acometimento do trato gastrointestinal pode ocorrer em qualquer ponto, em caráter saltatório, da boca ao ânus e se apresenta como inflamação transmural. Já na retocolite ulcerativa ele é mais superficial e de caráter contínuo no cólon e no reto. Em ambas o quadro clínico se apresenta em surto-remissão e o início real dos sintomas pode datar de meses ou anos”.
Na história clínica é importante atentar para manifestações extra-intestinais. Articulações, pele, olhos, vias biliares, entre outros, podem estar afetados em cerca de 20% dos casos. Alguns desses acometimentos são temporários devido à atividade de doença, enquanto outros seguem curso independente. Como trata-se de uma doença autoimune, há ainda a possibilidade de síndromes de sobreposição, ou seja, a presença de outro diagnóstico autoimune concomitante.
Na investigação da doença, é fundamental descartar outros causadores de inflamação, como parasitas e bactérias. A Dra. Daniela aponta que: “não é incomum um curso de antibióticos e sintomáticos no início dos sintomas. No entanto, o olhar atento do gastroenterologista e uma anamnese cuidadosa indicam o caráter crônico e recidivante do quadro, apontando a necessidade de avançar a investigação para colonoscopia com biópsia de todas as porções do intestino grosso”.
O tratamento medicamentoso varia caso a caso e o acompanhamento adequado e regular pode levar a longos períodos de remissão dos sintomas. Em casos selecionados, com mudança do estilo de vida e orientação estrita do médico especialista, é possível reduzir consideravelmente a dose da medicação e até interrompê-la.