A doença hepática gordurosa não alcoólica é o acúmulo anormal de gordura no fígado, causado por diversos fatores, exceto o consumo excessivo de álcool. Em grande parte dos casos, suas causas relacionam-se à síndrome metabólica, a qual engloba o sobrepeso, níveis elevados colesterol e triglicerídeos e a resistência à insulina.
Devido à epidemia de obesidade no mundo, trata-se hoje de uma das formas mais comuns de doença hepática crônica. Acreditava-se originalmente tratar-se de uma doença benigna, no entanto hoje já se sabe que pode evoluir para formas mais graves, que culminam com cirrose e câncer hepático, o chamado carcinoma hepatocelular.
Nos casos sintomáticos de DHGNA, os pacientes podem sentir cansaço e desconforto abdominal. E, como alerta a Dra. Daniela Bouzas – médica gastroenterologista -, embora o fígado gorduroso não alcoólico possa ser assintomático, é fundamental que suas causas sejam tratadas. Evita-se assim o desenvolvimento de formas mais graves da doença, como a esteatohepatite não alcoólica, em que já se observa inflamação clinicamente significativa do fígado com elevação dos marcadores de lesão hepática.
Como ainda não existe exame de sangue específico para estadiar a DHGNA, o diagnóstico passa por identificação dos fatores de risco da doença como: IMC aumentado, resistência à insulina, diabetes melito tipo 2 e outros parâmetros indicativos de síndrome metabólica. O exame de imagem inicial costuma ser a ultrassonografia de abdome superior, porém não raro a DHGNA é encontrada em tomografia ou ressonância abdominal realizada por outra causa. O padrão-ouro para a confirmação diagnóstica é a biópsia do fígado, no entanto ela está indicada apenas em casos selecionados.
O tratamento dependerá da causa do acúmulo de gordura, podendo ser indicados a modificação dos hábitos alimentares, a ingestão de medicamentos, o controle de outras doenças – como diabetes – e, sobretudo, a manutenção de um tratamento continuado.