A motilidade intestinal é um conjunto de movimentos musculares – como a contração do músculo liso que compõe as paredes do trato gastrointestinal -, responsável por mover os alimentos ao longo do sistema digestivo, misturá-los e armazená-los.
Como aponta a Dra. Daniela Bouzas – médica gastroenterologista -, há três tipos principais de movimentos: a peristalse, a segmentação e a contração ou relaxamento dos esfíncteres. “Quando algum desses mecanismos sofre alterações, ocorrem distúrbios de motilidade intestinal, que podem gerar diversos sintomas, como diarreia, distensão abdominal, dor e prisão de ventre”, ela explica.
Entre os distúrbios da motilidade intestinal, encontram-se a obstipação – caracterizada por uma frequência de evacuação menor do que três vezes por semana; a doença de Hirschprung, ou megacólon congênito – que se caracteriza pela carência de determinadas células do cólon, o que produz uma contração permanente do esfíncter anal interno, relacionada a uma dilatação da porção imediatamente anterior do intestino; e a incontinência fecal – devida à incapacidade de contração adequada do esfíncter anal.
O tratamento desses distúrbios dependerá de suas causas. Como exemplo, a Dra. Daniela cita a síndrome do intestino irritável – condição que causa diversos sintomas gastrointestinais. Para identificá-las, poderão ser necessários, além da avaliação clínica, exames laboratoriais, exames de imagem e estudos fisiológicos, como a manometria. Se as causas orgânicas – que apontam para tratamentos específicos – forem descartadas, o tratamento se baseará na mudança de hábitos alimentares e comportamentais, além do uso de medicamentos para aliviar os sintomas.