A Cirrose Hepática é a resposta comum do fígado a qualquer estímulo lesivo persistente caracterizado pela substituição de seu tecido por um tecido cicatricial não funcional, conhecido como fibrose. Nesse processo o fígado perde a sua arquitetura original e torna-se disfuncional.
A Dra. Daniela Bouzas – médica gastroenterologista -, explica que, por sua vascularização característica, o fígado recebe todo sangue originário dos intestinos, adquirindo uma importante função de eliminação de toxinas e coordenação do metabolismo intermediário. É nele também que ocorre a produção da maior parte das proteínas plasmáticas e a formação da bile.
Assim, quando o fígado perde sua capacidade funcional, ele não consegue ser substituído por outros órgãos. Nesse momento temos a cirrose descompensada com diversas repercussões sistêmicas, tais como a ascite – acúmulo de líquido na cavidade abdominal -, a hemorragia digestiva e problemas nas funções cerebrais, que em conjunto caracterizam a encefalopatia hepática.
“A fibrose do fígado – observa a Dra. Daniela – pode ser assintomática durante muitos anos, incluindo nos estágios iniciais da cirrose. Nesse período é fundamental diagnosticar e tratar o fator causal da lesão hepática crônica”. Atualmente as causas mais comuns de cirrose são hepatite C, doença hepática alcoólica e doença gordurosa não alcoólica.
“É importante destacar que o fígado tem uma certa capacidade de regeneração e mesmo casos sintomáticos, com acompanhamento adequado, tratamento medicamentoso e interrupção do fator causal, podem muitas vezes retornar ao estágio assintomático de cirrose compensada”, ressalta a Dra. Daniela. Diuréticos e betabloqueadores fazem parte do arsenal terapêutico para controle sintomático, bem como a endoscopia digestiva alta para investigação de varizes de esôfago.
Além disso, a cirrose aumenta o risco de desenvolvimento do câncer hepático, o chamado hepatocarcinoma. Por isso, o rastreio periódico é parte importante do acompanhamento do paciente cirrótico e em geral é realizado com ultrassom abdominal a cada seis meses. No entanto, o diagnóstico confirmatório costuma vir pela tomografia de abdome com contraste trifásico e o padrão característico de washout, ou seja, lavagem rápida do contraste.